Câncer é a principal causa de morte ao redor do mundo e a segunda causa de morte nos EUA, ultrapassada somente pela doença cardíaca. Estima-se que mais da metade dos casos de câncer e das mortes por câncer sejam potencialmente evitáveis. Dieta e nutrição são responsáveis por aproximadamente 30% de todos os canceres dos países desenvolvidos e 20% dos países em desenvolvimento. Vários estudos tem sido publicados estreitando a relação entre fatores dietéticos e risco de câncer. Porém, muitos resultados para tipos específicos de câncer tem sido inconsistentes entre os estudos. Esta falta de clareza pode resultar da heterogeneidade das dietas vegetarianas entre os indivíduos e entre os diferentes países, como também podem variar na proporção do alimento consumido, na qualidade dos alimentos, métodos de cozimento, as limitações de medidas utilizadas para quantificar as porções, bem como outros fatores de estilo de vida associados que podem produzir um impacto sobre o risco de câncer.
O Adventist Health Study-2 é um dos mais importantes estudos no que se refere a prevenção do câncer associado à alimentação. Os pesquisadores examinaram a associação entre padrões alimentares (não-vegetarianos, lacto-vegetarianos, pesco-vegetarianos, semi-vegetarianos e veganos) e a incidência de câncer no geral entre os 69.120 participantes em 38 estados norte-americanos. O estudo procurou investigar a associação de padrões alimentares e de incidência de câncer em uma população de baixo risco de homens e mulheres membros da Igreja Adventista. Os Adventistas compreendem uma população com uma grande variedade de hábitos alimentares que oferece uma oportunidade única incomum para investigar os determinantes de câncer. O estudo AHS-2 começou em 2002 com o objetivo de investigar o papel dos vários alimentos e nutrientes, assim como estilo de vida e outros indicadores que possam estar envolvidos na causa do câncer.

A categoria de freqüência para carne vermelha, aves e peixe variou de “nunca ou raramente” para “2 ou mais vezes por dia” e para laticínios de “nunca ou raramente” para “mais que 6 vezes por dia”. Para o tamanho da porção, 3 possibilidades foram apresentadas: padrão, 1/2 porção ou menos, e 1/2 porção ou mais. As informações no consumo de carne, peixes e laticínios foram usadas para categorizar os indivíduos de acordo com seu status de vegetarianismo. Assim, a classificação obtida foi: vegans, ovo-lacto-vegetarianos, pesco-vegetarianos, semi-vegetarianos e não-vegetarianos. Os semi-vegetarianos comiam carne vermelha, aves, peixes de 1 vez ao mês até 1 vez por semana, e ovos e laticínios diariamente; os não-vegetarianos comiam carne vermelha, aves e peixes mais que 1 vez por semana, e ovos e laticínios diariamente.
Resultados do estudo
Durante os 4,14 anos de seguimento, 2.939 casos de câncer foram identificados em ambos homens e mulheres. A análise de risco geral de câncer entre vegetarianos, em comparação com os não-vegetarianos foi estatisticamente significativa (HR = 0,92; 95% CI: 0,85, 0,99) para ambos os sexos combinados. Além disso, uma associação estatisticamente significativa foi encontrada entre a dieta vegetariana e câncer do trato gastrointestinal (HR = 0,76; IC 95%: 0,63, 0,90). Ao analisar a associação de padrões alimentares vegetarianos específicos, dietas veganas mostraram proteção estatisticamente significativa para a incidência de câncer em geral (HR = 0,84; 95% CI: 0,72, 0,99) em ambos os sexos combinados e de canceres específicos do sexo feminino (HR = 0,66; 95% Cl: 0,47, 0,92).


Poucos estudos prospectivos avaliaram associações entre dietas vegetarianas e risco de câncer. Entre os Adventistas do Sétimo Dia, risco de câncer para todos os sítios combinados tem sido previamente reportado como menor que a população externa de referência. Como muitos Adventistas não consomem carne regularmente, é possível que o baixo consumo de carne, ou a substituição por outras fontes de calorias, confira essa proteção. Além disso, quando exploradas as associações dietéticas com o risco de câncer no antigo AHS-1, os dados encontrados evidenciaram que consumo de carne esta diretamente ligado ao risco de específicos canceres e também que maior consumo de vegetais e frutas tem o efeito contrário, tornando o risco menor. Posterior evidência veio da análise conjunta dos dados de 2 outros estudos prospectivos no Reino Unido, chamados “Oxford Vegetarian Study” e o “European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition-Oxford (EPIC-Oxford)” que mostraram 12% menos risco de câncer no geral entre os vegetarianos comparados com consumidores de carne. Entretanto, nesses estudos a dieta vegana e o câncer não foram avaliados separadamente.

Neste presente estudo, uma associação inversa ficou evidente entre a dieta vegana e câncer específico de mulheres. Muito do que se conhece da epidemiologia dos canceres femininos pode ser explicado pelos fatores hormonais e os únicos hábitos não saudáveis que afetariam esses canceres seriam obesidade, sedentarismo e consumo de álcool. No entanto, dietas veganas sem dúvida protegem contra cânceres ligados à obesidade, níveis de IGF-1 elevados e resistência à insulina. Como há evidências de que a obesidade é um fator de risco para vários tipos comuns de câncer específicos do sexo feminino e que níveis elevados de IGF-I também podem aumentar o risco de alguns canceres específicos do sexo feminino, estas são potenciais vias de protecção.

O grupo não-vegetariano de referência no estudo era relativamente de baixo consumo de carne. Sendo assim, se dietas baseadas principalmente em produtos de origem animal proporcionam um efeito adverso é possível que baixo consumo de produtos animais entre os não vegetarianos deste estudo possa resultar em menores efeitos observados.
Como conclusão, o estudo sugere que dietas veganas estão associadas com diminuição na incidência de todos os canceres combinados, e especificamente no risco de câncer específico do sexo feminino quando comparadas aos não-vegetarianos. Os vegetarianos como um grupo unificado tem menor risco de todos os canceres e do trato gastrointestinal quando comparados aos consumidores de carnes.
fonte:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/…/PMC3565018/pdf/nihms423289.pdf