Será possível melhorar os desfechos relacionados ao Câncer de Mama através da dieta? Qual seria então a melhor dieta para a doença? Os estudos que mostraram resultados positivos tanto para redução na mortalidade quanto para prevenção da recidiva local evidenciaram um padrão alimentar com baixa ingestão de gordura, alto consumo de fibras e leguminosas.
Um estudo feito em 40 centros médicos nos Estados Unidos com 48.835 mulheres na pós menopausa, O WHI – Women’s Health Initiative, concluiu que comparado com um grupo de dieta usual, um padrão alimentar com baixo teor de gordura levou a uma menor incidência de óbitos após o câncer de mama e que portanto, uma dieta baixa em gordura e sustentada por longo período de tempo aumenta as taxas de sobrevivência entre mulheres após o diagnóstico do câncer de mama.
Já outro estudo, o Women’s Intervention Nutrition Study mostrou que de 2.437 mulheres que foram divididas em um grupo com dieta com pouca gordura e outro grupo controle, os eventos como recorrência, metástases e câncer na outra mama foram reduzidos em 24% no grupo da dieta. Como conclusão, a adoção de uma dieta pobre em gordura pode aumentar a sobrevida livre de doença nas pacientes com câncer de mama.
Em relação as leguminosas, um grande benefício desses alimentos é a presença dos fitoestrógenos, principalmente os da soja. Os fitoestrógenos não são o mesmo que o estrógeno humano. Pensa-se que os efeitos positivos e protetores dos fitoestrógenos na saúde possam ser causados por essa qualidade “igual, mas diferente”: eles podem mimetizar as ações do estrogênio, se ligando aos receptores estrogênicos, mas atuando como antagonista do estrógeno.

Assim, embora não existam protocolos oficiais de dieta após o diagnóstico de câncer de mama, a alimentação da mulher portadora da doença deve seguir as recomendações:
- Pobre em gordura saturada (reduzir carnes, laticínios e ovos)
- Rica em fibras (aumentar todos os vegetais, cereais integrais, frutas)
- Rica em ômega 3 (castanhas, chia, linhaça)
- Rica em leguminosas como feijões e soja (tofu, missô, leite de soja)
- Rica em vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, etc).
- Pobre em carboidratos refinados e açúcar (devido ao alto índice glicêmico)
- Pobre em alimentos industrializados e comida processada.
- Ausente em carnes processadas, incluindo carne branca embutida, devido a substâncias cancerígenas presentes.
- Hipocalórica, ou seja, pobre em alimentos muito calóricos, como frituras, doces, etc.
É possível substituir a proteína animal por fontes de proteína vegetal na dieta e assim aumentar o aporte de fibras, diminuindo o de gordura. Leite, ovos, queijos, frango, carnes e peixe não contem nenhuma fibra. Já feijões, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico, cereais integrais, sementes e castanhas, entre outros, além de conterem proteínas ainda apresentam grandes quantidades de fibras que atuam na prevenção do câncer por:
- Melhorar a sensibilidade à insulina,
- Reduzir os níveis do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1).
- Reduzir os níveis plasmáticos de estrógeno por aumentar a sua excreção fecal.
Indo mais além, os alimentos vegetais contém em sua maioria, substâncias conhecidas como antioxidantes e fitoquímicos que atuam no ciclo celular e são muito úteis no combate ao câncer. Esses compostos podem eliminar os radicais livres e ativar o sistema imunológico, e são capazes de reduzir a conversão das substâncias cancerígenas à sua forma ativa. Alguns exemplos são a genisteína, encontrada na soja, o licopeno do tomate, o beta-caroteno encontrado na cenoura, abóbora; os flavonóides presentes em muitos alimentos vegetais, o selênio da castanha do pará, a quercetina, curcumina, epigalocatequina, alicina, resveratrol e muitos outros.
Portanto, os alimentos vegetais fornecem uma imensa gama de fatores de proteção que vai muito além das fibras, vitaminas e dos minerais o que faz com que uma dieta baseada em vegetais seja uma poderosa aliada no tratamento da mulher afetada pelo câncer de mama.
Fontes:
